Submersão

A inundação de terras baixas pelo mar pode resultar do desbordamento e/ou da ruptura de obras de proteção,  como os diques, ou de barreiras naturais, como as dunas costeiras. Esta inundação pode também ser provocada, e este caso é frequente nos estuários, exclusivamente pela elevação do nível mais alto das águas.

Uma inundação provocada pelo mar pode ser causada por uma tempestade forte (maré de tempestade ou inundação de maré) provocando uma sobreelevação marinha, uma maré viva, ou uma combinação das duas. Nas zonas de embocadura, a inundação pode ser exacerbada se ela coincide com um fluxo fluvial elevado: quando as águas de enchente continental encontram níveis marinhos elevados, a água  não se evacuar no mar e se espalham sobre as terras baixas do entorno. Por outro lado, uma elevação lenta do nível do mar, como a que resulta da mudança climática global, não gera obrigatoriamente um aumento da submersão das zonas estuarinas porque a sedimentação vertical que estas zonas abrigam em maré cheia é às vezes suficientemente ativa para compensar a elevação do nível do mar.

A inundação ocorrida no sudoeste dos Países Baixos, na noite de 31 de janeiro  a 1° de fevereiro de 1953, ficou marcada na memoria: mais de 2 500 mortos, 160 000 hectares de terras inundadas, muitas construções destruídas ou danificadas. Este desastre  levou os poderes públicos a conceber o plano Delta, um vasto programa de proteção do país, o qual tem 1/3 de sua superfície situada abaixo do nível médio do mar.

A tempestade Xynthia, que afetou uma grande parte dos litorais atlânticos europeus entre 26 de fevereiro e 1° de março de 2010, não apresentava características especiais. Ela foi, portanto, uma das mais mortíferas dos últimos anos em consequência da concomitância com um mar alto de maré viva (coeficiente 102) provocando uma sobreelevação importante do nível do mar (1,50 m no litoral do Departamento da Vendée na França). Esta tempestade causou a morte de 59 pessoas e danos materiais importantes, essencialmente na França. O número significativo de mortes ocorridas na França (47) colocou em causa a urbanização do litoral, a manutenção dos diques e os sistemas de alerta adotados desde muitos anos.

No âmbito da legislação europeia e das práticas de planeamento responsáveis, os planeadores e decisores do litoral devem considerar as inundações costeiras no momento de decidir sobre as intervenções em matéria de planeamento, sem o que desastres como os de 1953 e de 2010 poderiam se revelar ainda mais mortíferos no futuro.

 

Documentos

Ferramentas ANCORIM

Tomada de Decisão e Riscos Costeiros: Guia de Boas Práticas

Tomada de Decisão e Riscos Costeiros: Guia de Boas Práticas O objectivo deste manual é fornecer um Guia de Boas Práticas para facilitar a inclusão do risco costeiro nas decisões efectuadas na zona costeira.

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